Dois recortes sobre o cabeçalho que me fizeram
(...) o universo cubista aparece como um universo do descontínuo. É nisto que sobretudo consiste a sua novidade. E é nisto também que ele se concilia com um estado de espírito geral, próprio da nossa época: disso se darão conta os que o compararem às obras de arte de ramos diferentes que lhe são contemporâneas, as da poesia, por exemplo, que escapam ao discurso, como escapam à regularidade métrica e à pontuação, e se apresentam sob a forma de fragmentos e de instantâneos. A velocidade é talvez a causa dessa redução a choques e dessa pulverização; talvez também as revelações da psicologia abissal. Na música observa-se o mesmo fenómeno com a desaparição progressiva das coerências tonais, e com essa luta empreendida desde Stravinsky contra a melodia, e mesmo contra os sons enquanto susceptíveis de criarem imediatamente outro som: donde a sua tendência a confinarem com o ruído e a combinarem-se não já em melodia ou harmonia, mas em ritmos brutos, ou mesmo em ritmos de ritmos. Passemos aqui imediatamente ao domínio da pintura: a analogia impõe-se com as síncopes plásticas do cubismo, e com os "objectos no espaço" e os "contrastes de formas" de Fernand Léger, o mais poderoso antimelodista dos pintores de hoje. Mas toda a arte cubista é feita assim de peças relacionadas, de cortes e de exclusões, de apresentações do objecto no seu estado mais directo, à maneira de um som puro, quase um ruído, de uma palavra nua, de um conceito e de pedaços desse objecto e, em segunda instância, de pedaços formados de pedaços. O universo do contínuo é abolido (...)
Introdução ao catálogo da exposição do Cubismo, Museu Nacional de Arte Moderna, 1953, por Jean Cassou.
(...) se, vendo uma pintura, a escola a que ela pertence ressalta com maior força do que a pintura em si mesma, não auguro nada de bom para essa pintura (...)
Resposta a um inquérito, Documents, nº 5, Paris, 1930. Citado em: Juan Gris, por D. H. Kahnweiler, Gallimard, 1946
Introdução ao catálogo da exposição do Cubismo, Museu Nacional de Arte Moderna, 1953, por Jean Cassou.
(...) se, vendo uma pintura, a escola a que ela pertence ressalta com maior força do que a pintura em si mesma, não auguro nada de bom para essa pintura (...)
Resposta a um inquérito, Documents, nº 5, Paris, 1930. Citado em: Juan Gris, por D. H. Kahnweiler, Gallimard, 1946
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