60 anos
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Em mais de três anos de acompanhamento regular da blogosfera portuguesa não me lembro de ter visto um único post sobre David Bowie (haverá certamente, mas não nos blogs que visito), o que me provoca uma certa perplexidade. Estará fora de moda? Eu também não o ouço há algum tempo. Mas foi das minhas obsessões pop durante quatro ou cinco anos (período em que reuni a discografia que me interessava - desde o debute, em 1967, com David Bowie, até ao álbum de 1980, Scary Monsters). Durante pelo menos dez anos foi dos principais faróis da música popular, vogando por estilos como o glam, o prog-rock, a soul, o funk e a electrónica experimental, e criando personas para cada um deles (Ziggy Stardust ou Thin White Duke). Nesse caminho inspirou centenas de bandas e projectos e abriu inúmeros afluentes, com repercussões incalculáveis e ainda actuais. Depois eclipsou-se durante 15 anos (há muito quem defenda os seus trabalhos dos anos 1980, mas para mim, tirando um ou outro tema, é uma fase absolutamente pálida, pelo menos se comparada com a década de 70). Até que regressou com Outside (1995), álbum conceptual de sequência inacabada, que o recoloca na vanguarda da exploração de formas. Há um outro momento interessante em 1997, Earthling, mas depois confesso que me virei para outros lados. E não gostei de Reality (2003). Entre os álbuns de sempre elejo o incontornável Ziggy Stardust (1972); The Man Who Sold The World (1970); Hunky Dory (1971); e a trilogia de Berlim (Low; Heroes; Lodger), realizada entre os anos 1977 e 1979 em estreito conúbio artístico com Brian Eno. O senhor David Bowie faz hoje 60 anos e daqui seguem os mais sentidos votos de um Feliz Aniversário.
Adenda: O Sound + Vision não deixou passar a efeméride e promete um "Ano Bowie", onde se irão explorar "os seus discos e telediscos, as suas fotos e filmes, as suas capas e versões, os seus parceiros e universos ao seu redor."
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