Para ler, reler e guardar perto

Acabo de ler Elogio da Intolerância, de Slavoj Žižek, penetrante panorâmica sobre o mundo actual, com paragens nos temas mais diversos (do multiculturalismo ao Viagra). É um texto que questiona o chão que pisamos, esse chão onde passa a política e as decisões que nos afectam.
E independentemente de se aderir às suas teses, ou rejeitá-las, vale pelo contacto com um pensamento poderoso.
Voltarei ao livro, mas aproveitando a boleia das últimas semanas, e o chinfrim à volta de Sócrates e do canudo, transcrevo uma passagem do último capítulo, sobre a "interpassividade", onde encontro ecos com esta obsessão que tem dominado o espaço público português.
"(...) toda essa incessante actividade (...) tem qualquer coisa de profundamente inautêntico, e evoca, em última análise, o neurótico obsessivo que ou fala permanentemente ou se mantém freneticamente activo, precisamente com o fim de garantir que alguma coisa - aquilo que realmente importa - não será perturbada, continuará sem mudar."
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