A escala Warhol

A propósito deste repto lançado pelo Pedro Mexia, lembrei-me de um certo encontro com Nick Cave, sem dúvida o episódio mais "marcante" da minha escala Warhol.
Estávamos em 1992, na noite do concerto de Nick Cave & The Bad Seeds no Coliseu do Porto (bastante mais fraquinho que o de 1988, que foi mítico, com a primeira parte dos Mão Morta, e Nick Cave, no encore, a convidar o público a subir ao palco. Lembro-me de ficar ao lado de Blixa Bargeld e assistir ao seu dedilhar frenético e imperturbável).
Depois do concerto havia festa no Meia Cave, com um convidado especialíssimo: o próprio Cave, que fez as honras de DJ durante boa parte da noite. Dançou-se umas horas e, no final, quando saíram todos, em plena Praça do Cubo, resolvi dirigir-me ao homem para lhe sacar um autógrafo. Estava um pouco com os copos e lembro-me de lhe chamar "Nick the Stripper", em alusão a um tema dos Birthday Party. Cave sorriu e parecia o princípio de uma bela amizade. Mas quando lhe espeto a caneta e um papel à frente, deu-lhe uma coisa má e resolveu atirar com aquilo tudo para longe. Fiquei chateado, com certeza que fiquei chateado. E depois de apanhar a caneta, ao passar por ele lancei-lhe uns impropérios. Fixou-me com aquela cara da foto acima - e o personagem é realmente assustador, apesar de magrinho - e deu-me um tabefe. Instintivamente, dei-lhe um pontapé. E ambos nos abispamos.
Confusão. Separa aqui, insulta ali, e de repente estou a falar com Mick Harvey, um dos Bad Seeds, que me pede desculpa pelo comportamento do outro, explicando que a partir de certa hora o homem perdia as estribeiras. Entretanto havia uns tipos da Ribeira, atraídos pelo tumulto, que já falavam em "atirar o camone ao rio". Mas fui magnânimo e deixei-o ir.
Estávamos em 1992, na noite do concerto de Nick Cave & The Bad Seeds no Coliseu do Porto (bastante mais fraquinho que o de 1988, que foi mítico, com a primeira parte dos Mão Morta, e Nick Cave, no encore, a convidar o público a subir ao palco. Lembro-me de ficar ao lado de Blixa Bargeld e assistir ao seu dedilhar frenético e imperturbável).
Depois do concerto havia festa no Meia Cave, com um convidado especialíssimo: o próprio Cave, que fez as honras de DJ durante boa parte da noite. Dançou-se umas horas e, no final, quando saíram todos, em plena Praça do Cubo, resolvi dirigir-me ao homem para lhe sacar um autógrafo. Estava um pouco com os copos e lembro-me de lhe chamar "Nick the Stripper", em alusão a um tema dos Birthday Party. Cave sorriu e parecia o princípio de uma bela amizade. Mas quando lhe espeto a caneta e um papel à frente, deu-lhe uma coisa má e resolveu atirar com aquilo tudo para longe. Fiquei chateado, com certeza que fiquei chateado. E depois de apanhar a caneta, ao passar por ele lancei-lhe uns impropérios. Fixou-me com aquela cara da foto acima - e o personagem é realmente assustador, apesar de magrinho - e deu-me um tabefe. Instintivamente, dei-lhe um pontapé. E ambos nos abispamos.
Confusão. Separa aqui, insulta ali, e de repente estou a falar com Mick Harvey, um dos Bad Seeds, que me pede desculpa pelo comportamento do outro, explicando que a partir de certa hora o homem perdia as estribeiras. Entretanto havia uns tipos da Ribeira, atraídos pelo tumulto, que já falavam em "atirar o camone ao rio". Mas fui magnânimo e deixei-o ir.
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