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domingo, julho 22, 2007

Stocks in gloom are up

"There's a reasonable argument that suggests buffing up Joy Division's harrowing, cathartic howl to suit the palate of a mainstream rock audience is a pretty horrendous thing to do, somewhat akin to remaking Bergman's The Seventh Seal as a Sunday evening comedy-drama starring Amanda Holden, but you can't quarrel with the sales figures. And if stocks in gloom are up, that's good news for Interpol."

Crítica pouco entusiasmada de Alexis Petridis ao novo álbum dos Interpol, "Our Love to Admire", no Guardian.

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segunda-feira, julho 16, 2007

'Dia de sombra'

"O nível de abstenção [62,6%] é escandaloso. O eleitorado lisboeta deu hoje, no que diz respeito à democracia, ao futuro da Polis e ao destino dos seus cidadãos, um vergonhoso sinal de desinteresse e egoísmo. Bem podem alguns chamar-lhe cartão vermelho aos políticos, aos partidos ou ao que for. Não basta. O que explica esta fuga às urnas, num dia sem Sol, é tão somente a falta de civilidade. Depois da capital, segue-se o País. Democracia? Um dia destes, ainda nos arriscamos a acabar todos à sombra de outra coisa qualquer."

No Corta-Fitas.

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quarta-feira, maio 09, 2007

Peixe graúdo



“As ideias são como peixes. Podemos encontrá-los à superfície das águas, mas lá em baixo, nas profundezas, é que eles são maiores. E sabem qual é o principal isco para os apanhar? O desejo. Temos que desejar as ideias. É o desejo que traz cá para cima esses peixes graúdos.”

Vale a pena ler o resto da conversa.

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segunda-feira, abril 30, 2007

Deve andar lá perto

"(...) Se bem me lembro, nos meus tempos dom-joanescos eu cheguei a abandonar mulheres por causa de uma nódoa na meia, de uma palavra estúpida, dos dentes mal lavados; mas agora perdoo tudo: a mastigação, a azáfama com o saca-rolhas, as conversas longas que não valem um pataco. É quase inconscientemente que perdoo, sem forçar a vontade, como se as faltas de Sacha fossem as minhas próprias faltas, e muitas coisas que dantes me faziam contorcer produzem agora em mim enternecimento, e até admiração. Os motivos desta tolerância total residem no meu amor por Sacha, mas onde residem os motivos deste amor, isso, palavra de honra, não sei dizer."

Último parágrafo do conto O Amor, de Tchékhov.

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segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Disfarces



"(...) Nessa altura aprendi a conhecer a influência que um determinado traje pode exercer directamente sobre nós. Mal vestia um destes fatos, tinha de confessar a mim próprio que ele me tinha em seu poder; que ele me ditava os meus movimentos, a expressão do rosto e até as ideias; a minha mão (...) não era, nem de longe, a mão habitual; ela movimentava-se como um actor, mais, poderia até dizer que ela se observava a si própria, por muito que isto soe a exagero. Estes disfarces, no entanto, não se desenrolavam até ao ponto de eu próprio me sentir alienado; pelo contrário, quanto mais diversificadamente me transformava, tanto mais convencido ficava de mim mesmo. (...)"

Rainer Maria Rilke, As Anotações de Malte Laurids Brigge (Relógio D'Água)

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sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Vida

"(...) Na verdade, esta posição sobre a "vida" tem muitos pressupostos que são intrinsecamente religiosos e de fé, e que ou são aceites ou não, mas não podem ser considerados auto-evidentes para quem não tem fé. Implica, por exemplo, a ideia de que existe uma "alma" - chamemos-lhe o que quisermos vai sempre dar aí -, uma presença espiritual que está para além do corpo, um Logos de natureza radicalmente alheia à mecânica do corpo, que não se reduz a ele, que está para além dele, que é imortal. A "vida" a que se bate palmas nas manifestações é mais do que a do corpo, é a da criação divina, e compreende-se que, sendo entendida como pertencendo a Deus, não se queira dá-la a César, ao Estado moderno.

E se eu não acreditar que há uma "alma" e me basta o código genético, e se eu for materialista e entender o corpo como uma máquina aperfeiçoada apenas pela evolução natural e resumir o Logos a um produto dessa mesma máquina, e se eu entender que verdadeiramente tudo tem a ver com o "egoísmo" dos genes e for sociobiológico, será que tenho que aceitar esta visão da "vida" mesmo sem fé?

(...) É, por isso, necessária muita prudência ao usar as palavras como valores civilizacionais comuns, quando o que é civilizacional é a convivência de diferentes entendimentos das mesmas palavras e não tanto uma determinada interpretação, muito menos imposta por lei, muito menos pretendendo o monopólio da moral e da civilização."

José Pacheco Pereira, no Público de 1 de Fevereiro de 2007

Não andam por aí muitos textos destes. Nem posições tão claras:
uma recusa liminar da superioridade moral dos crentes.

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