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domingo, julho 22, 2007

Stocks in gloom are up

"There's a reasonable argument that suggests buffing up Joy Division's harrowing, cathartic howl to suit the palate of a mainstream rock audience is a pretty horrendous thing to do, somewhat akin to remaking Bergman's The Seventh Seal as a Sunday evening comedy-drama starring Amanda Holden, but you can't quarrel with the sales figures. And if stocks in gloom are up, that's good news for Interpol."

Crítica pouco entusiasmada de Alexis Petridis ao novo álbum dos Interpol, "Our Love to Admire", no Guardian.

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terça-feira, fevereiro 06, 2007

O jogo do sério











Entre os anos 1964 e 1966 foram realizados cerca de 500 "screen tests" por Andy Warhol e os seus colaboradores da Factory. O procedimento era simples, e à excepção de alguns casos, que serviriam outros projectos, tratava-se de convidar individualidades - o pressuposto, para Warhol, era possuírem star quality - a sentarem-se durante alguns minutos diante de uma câmera fixa sem se mexerem. Pela lente imóvel desfilou o quem é quem da Nova Iorque artística dos anos 1960 (nas imagens, seguindo os ponteiros do relógio, está Edie Sedgwick, Dennis Hopper, Baby Jane Holzer e Lou Reed), mas também vedetas internacionais como Salvador Dali ou Giangiacomo Feltrinelli.

Filmada a preto e branco, em 16 mm, à velocidade de 24 frames por segundo, e sem qualquer edição, até ao final do rolo, a sessão era depois convertida numa velocidade mais lenta, de 16 frames por segundo, o que dava um total de cerca de quatro minutos para cada rosto (a duração de uma música pop). Jogando com os screen tests de Hollywood, em que se filmam os candidatos a um determinado papel para avaliar a sua presença, o projecto de Warhol transformava os testes no próprio evento, uma espécie de aquecimento para coisa nenhuma; havendo também quem sugerisse tratar-se de um comentário oblíquo à “era dos testes” nos EUA (sobretudo os testes de defesa nuclear, bastante comuns nas escolas americanas da guerra fria).

Outros apontam sobretudo a intenção de prolongar os seus retratos no celulóide, utilizando, ao invés de telas, o ecrã e o projector. Alguns destes "quadros" foram usados como fundo no The Exploding Plastic Inevitable, espectáculo multimédia encabeçado pelos Velvet Underground. Manipulando a luz e a sombra, Warhol procurava extrair aspectos particulares dos modelos, ora acentuando um carácter mais etéreo, com a sobreexposição de luz, ora configurando uma atmosfera mais negra, carregando nas sombras. “Não aguentávamos estar em pose durante tanto tempo e a nossa personalidade irrompia”, testemunhou uma das retratadas.

Tive oportunidade de ver alguns destes filmes (no YouTube há uns tantos) e retenho sobretudo a ideia de rostos à procura do Eu. Muitas vezes em close-up, constata-se que os primeiros segundos são comuns aos vários modelos, todos eles voluntariosos e algo intrigados. À medida que o tempo passa, porém, “irrompem as personalidades”, e vemos como por exemplo as faces mais simétricas aguentam impassíveis quase sem pestanejar, como se pudessem permanecer eternamente serenas debaixo de observação, enquanto os rostos mais imperfeitos rapidamente se desmancham num sorriso ou desviam o olhar, exibindo trejeitos de embaraço. Mais para o fim, surge novamente algo em comum, um certo enfado, mas também um descontrolo em todos os modelos, que exibem agora vestígios de uma identidade cada vez mais nua e onde repicam os traços da grande paleta humana.

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segunda-feira, janeiro 29, 2007

Doces chavões

Sim. Reclamamos o direito à festa. As pessoas quando vêm aos nossos concertos querem divertir-se a sério e nós damos-lhes isso. É isso que importa: sentirem que nos podem ir ver sendo elas próprias, vestindo a roupa que lhes apetecer e comportando-se espontaneamente, não sentindo constrangimentos.”

Excerto de uma entrevista aos Klaxons, publicada na Y por Vítor Belanciano.

Há mais de 20 anos que leio frases destas na imprensa musical (desde o velhinho Blitz dos pensamentos ociosos e dos pregões, e da Melody Maker, publicação de culto nos eighties). “É isso que importa: sentirem que nos podem ir ver sendo elas próprias, vestindo a roupa que lhes apetecer e comportando-se espontaneamente, não sentindo constrangimentos.” É quase como ouvir o jogador de futebol falar no mister, ou escutar a língua de pau de algum político. Muito raro, ao longo dos anos, apanhar ideia original de membros de bandas pop em ascenção (nem coisas escandalosas nem epifanias). E apesar dos elementos novos que vão surgindo, e influenciando a música e a sua promoção (como o MySpace e outros programas), o chavão continua a praxe. Agora isso, para quem gosta da pop não interessa nada, e é até reconfortante ir ouvindo as mesmas coisas da adolescência e saber que se reproduzem esses mesmos desejos e afirmações.
Agora é Klaxons e a “new rave”? Pois siga.

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