<body><!-- --><div id="b-navbar"><a href="http://www.blogger.com/" id="b-logo" title="Go to Blogger.com"><img src="http://www.blogger.com/img/navbar/1/logobar.gif" alt="Blogger" width="80" height="24" /></a><form id="b-search" action="http://www.google.com/search"><div id="b-more"><a href="http://www.blogger.com/" id="b-getorpost"><img src="http://www.blogger.com/img/navbar/1/btn_getblog.gif" alt="Get your own blog" width="112" height="15" /></a><a href="http://www.blogger.com/redirect/next_blog.pyra?navBar=true" id="b-next"><img src="http://www.blogger.com/img/navbar/1/btn_nextblog.gif" alt="Next blog" width="72" height="15" /></a></div><div id="b-this"><input type="text" id="b-query" name="q" /><input type="hidden" name="ie" value="UTF-8" /><input type="hidden" name="sitesearch" value="hamrashnews.blogspot.com" /><input type="image" src="http://www.blogger.com/img/navbar/1/btn_search.gif" alt="Search" value="Search" id="b-searchbtn" title="Search this blog with Google" /><a href="javascript:BlogThis();" id="b-blogthis">BlogThis!</a></div></form></div><script type="text/javascript"><!-- function BlogThis() {Q='';x=document;y=window;if(x.selection) {Q=x.selection.createRange().text;} else if (y.getSelection) { Q=y.getSelection();} else if (x.getSelection) { Q=x.getSelection();}popw = y.open('http://www.blogger.com/blog_this.pyra?t=' + escape(Q) + '&u=' + escape(location.href) + '&n=' + escape(document.title),'bloggerForm','scrollbars=no,width=475,height=300,top=175,left=75,status=yes,resizable=yes');void(0);} --></script><div id="space-for-ie"></div>

quinta-feira, maio 17, 2007

O eclipse



Não será um grande filme como L’Avventura, mas é com L’Eclisse (1962) que Antonioni vai mais longe no tema da alienação, a que consagrou quatro filmes (além dos citados, contem La Notte e Il Deserto Rosso). Filme gelado com pessoas geladas, O Eclipse segue as personagens de Monica Vitti e Alain Delon, uma mulher atarantada e um jovem ambicioso sem escrúpulos. Filma-se uma espécie de romance entre os dois, e o grande defeito do trabalho, quanto a mim, é a falta de subtileza com que se demarca um território árido, donde evidentemente não poderá sair o amor (tudo ali são sinais dessa impossibilidade). Quanto à sua grande qualidade, falemos do esquecimento.

É como se Antonioni, em certos momentos, se desinteressasse do filme e dos actores, deixando-os a vaguear. Vemos a mulher num aeródromo, aparvalhada, a observar aviões, e é como se a equipa de filmagem tivesse ido almoçar. Entra e sai do plano, e é indiferente que lá esteja ou deixe de ser vista. O mesmo com o homem, no seu bulício de corrector, a atropelar a multidão de viciados na bolsa, a falar ao telefone, a espiolhar as conversas, a passar informação ou a recebê-la. A câmara segue-o sem interesse e por vezes perde-o, depois encontra-o e volta a perdê-lo. Nenhum deles se lembra do filme, na sua azáfama ou no seu torpor. Nenhum deles se lembra do outro. E mesmo quando estão juntos, Antonioni prefere seguir um transeunte ao calhas do que ficar com eles.

A culminar o oblívio estão os últimos seis minutos do filme, a que Scorsese chamou um dos finais mais aterradores da história do cinema. O "tempo parado", quando nenhum dos dois comparece ao encontro que marcaram no lugar de sempre. "A vida, aqui, não continua", diz Scorsese, "fica suspensa". Ou poderá pensar-se que será mais digno continuar o filme, já sem o homem e a mulher, e observar detidamente um carreiro de formigas ou um charco de água. Eles esqueceram-se do filme. Nós esquecemo-nos deles. É o eclipse.

[No clip estão os últimos seis minutos do filme, com música de Prokofiev. Poderá dizer-se que é o essencial de O Eclipse.]

Etiquetas:

quarta-feira, maio 09, 2007

Peixe graúdo



“As ideias são como peixes. Podemos encontrá-los à superfície das águas, mas lá em baixo, nas profundezas, é que eles são maiores. E sabem qual é o principal isco para os apanhar? O desejo. Temos que desejar as ideias. É o desejo que traz cá para cima esses peixes graúdos.”

Vale a pena ler o resto da conversa.

Etiquetas: ,

terça-feira, abril 10, 2007

Loja dos 300



Se há uma intenção política em 300, ou qualquer analogia com a actualidade (a defesa do Ocidente livre e esclarecido por um grupo de bravos, contra o misticismo e a escravidão do Oriente), ela só cai no ridículo com esta caricatura tecno-kitsch da batalha de Termópilas.

Etiquetas:

quarta-feira, março 21, 2007

Os sem-parte



Muito recomendável o documentário Lisboetas, de Sérgio Tréfaut,
que só agora vi. Os novos rostos de Portugal enredados na malha burocrática e sujeitos a empregadores sem escrúpulos que os engatam no Campo Grande e outras esquinas. Nada que não soubéssemos, ou pudéssemos saber. Mas aqui finalmente próximos, seguidos pelo olhar da câmara que nos obriga realmente a vê-los e escutá-los. Sim, estão entre nós e têm sonhos. Ou tinham. Como diz um deles: "rapidamente se percebe que não é um país rico". E entretanto ficam. Ou fogem. O Portugal do betão vai fazendo vítimas. Uns vão para a rua, outros vão para Espanha. Outros adaptam-se. Como podem. E queixam-se do ensino. “É muito mais fraco que na Rússia. Se o teu filho souber a língua não lhe custa nada.” E já perceberam tudo, e a câmera de Tréfaut testemunha-o. Sem concessões nem placebos. Há uma redenção no fim. Mas uma redenção humana, não portuguesa. Porque estes lisboetas, do Brasil à Rússia, do Paquistão a Angola, já perceberam tudo. Alguém lhes disse, e prometeu, e eles vieram. “Nenhum bom trabalho compensa estar longe da terra”. Mas fosse um bom trabalho. Vieram para Portugal, e na maior parte dos olhos lê-se: “em que buraco me meteram”.

A imagem reproduz um cartaz publicitário da Benetton, da autoria de Oliviero Toscani. Travessia do Adriático, em 1992, de um cargueiro pejado de albaneses e outros imigrantes de países de leste. O destino é Itália. Para muitos deles, outro buraco.

Etiquetas: ,

terça-feira, março 13, 2007

Alemanha, Ano Zero



O que mais interessa em The Good German não é o palimpsesto sobre o cinema clássico, a recuperação de técnicas de iluminação e de câmera dos anos 1940 e a sua fisionomia noir plena de citações. Também não é ter Cate Blanchett como femme fatale gelada. O que mais interessa no filme de Soderbergh é o anonimato dos seus intervenientes. Ninguém ali verdadeiramente importa enquanto ser com identidade. E o único que é procurado por todos – um matemático nazi – é-o apenas pela sua utilidade. Mesmo o suposto romance, que teria levado o correspondente de guerra (George Clooney) a uma Berlim mutilada em busca da sua amante, desvanece-se diante da utilidade que domina todos os propósitos e movimentos dos que vivem na cidade. Na Berlim de 1945 não havia ainda espaço para o amor ou para qualquer sentido de lealdade. E quem tenha lido Outono Alemão, de Stig Dagerman, sobre o pós-guerra, ou A Queda de Berlim, de Antony Beevor, sobre os últimos dias do Reich, dificilmente se surpreende com uma das frases-chave do filme: "Em Berlim há sempre uma história pior." Entre as atrocidades e o calculismo mais cínico, não há verdadeiros inocentes em nenhum dos lados e em nenhuma idade (e sob esse ponto de vista, Germania Anno Zero continua insuperável no tratamento da época). Tal como os heroinómanos, quem se move em Berlim, em 1945, pensa apenas no que lhe será mais útil e mais rápido para atingir um fim: na maior parte dos casos, sobreviver.

Hoje em dia, felizmente, é um sítio do caraças.


Potsdamer Platz, 2005, imagem de Pedro Granadeiro

Etiquetas:

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

O ano de Itália



Não me recordo de ter festejado nenhuma atribuição de Óscar como se fosse um golo. Aconteceu ontem, ao anunciarem Martin Scorsese como vencedor da melhor realização (e poucos minutos depois, no 2-0, ao premiarem The Departed como melhor filme do ano). Verdade que Entre Inimigos não é dos meus predilectos na obra de Scorsese. Taxi Driver, Goodfellas ou Casino são as principais razões para ter saltado. Ou mesmo os documentários sobre o cinema americano e italiano que vi recentemente e sobre os quais escrevi. Mas pouco importa que tenha sido por este. Scorsese é dos quatro ou cinco realizadores vivos que mais admiro. Cinéfilo inveterado e autor de uma obra vasta donde emergem personagens inesquecíveis. O reconhecimento da Academia só peca por chegar tarde.

Como chegou tarde o Óscar de carreira a Ennio Morricone, compositor que assinou para cima de 500 bandas sonoras e tem esse mérito raro de erguer a sua música a memória máxima de alguns filmes (que sobrevive depois, autonomamente, como partitura esplêndida). Como o próprio explicou, "o compositor deve encontrar no filme uma dignidade que vá além do filme". Na cerimónia, ao agradecer o prémio, desatou a falar em italiano, marimbando-se para o desconcerto na plateia. Ti ringrazio anche io.

Numa noite em que perdeu Babel (e ainda bem), satisfação ainda pelo Óscar de melhor estrangeiro para As Vidas dos Outros, de Florian Henckel von Donnersmarck, filme exemplar sobre os mecanismos da Stasi na antiga RDA.

Etiquetas: ,

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Presentes












Os melhores presentes são aqueles que oferecemos a nós próprios. Não há enganos. Não precisamos de sorrir e perguntar, muito acabrunhados, pela eventualidade remota de não nos servir e termos de trocar. Escolhemos à medida. E este ano não falhou: ofereci-me DVD's que vou usar sempre.

O primeiro é uma aula de cinema pelo olhar fascinado do cinéfilo e autor Martin Scorsese. (Serão duas aulas, aliás, mas ainda só pude assistir à primeira.) Uma Viagem pelo Cinema Americano, realizado para a televisão, em 1995, encontra-se no primeiro disco; enquanto na segunda parte desta bela oferta temos A Minha Viagem a Itália, de 1999. (Pelo meio, curiosamente, Scorsese andou a viajar pelo Tibete, donde nos trouxe o aborrecido Kundun.) A viagem pelo cinema americano é muito mais do que um mapa de referências e citações - é sobretudo uma jornada de afectos, em que o autor de Taxi Driver e Goodfellas nos toma pela mão e partilha o seu encantamento pelos filmes que o marcaram enquanto homem e enquanto artista. O resultado é uma verdadeira história do cinema americano, polvilhado de protagonistas como Griffith, Murnau, DeMille, Tourneur, Walsh, Minnelli ou John Ford. Desde o período clássico dos grandes estúdios até ao momento em que começa a filmar, em finais da década de 1960 (péríodo que se recusa a comentar, por uma questão de pudor). A rememoração organiza-se por géneros, como o western, o musical ou o filme de gangsters (e são-nos dadas genealogias de cada um deles); e pelas facetas de um realizador (enquanto "contrabandista" ou "iconoclasta", por exemplo). Contando com os depoimentos de colegas como Clint Eastwood, Francis Coppola, Brian De Palma, Billy Wilder ou Samuel Fuller, a viagem segue ao ritmo do admirador, detendo-se demoradamente em alguns filmes e analisando certas mudanças - o advento do som ou do formato CinemaScope -, ilustradas por cenas concretas que demonstram como os problemas se tornaram novas possibilidades. Pontuados pela voz juvenil de Scorsese, os excertos de dezenas de filmes são iluminados por comentários certeiros e reveladores que ampliam a capacidade de leitura. Sempre no tom de alguém que se comove e extasia sem perder o fio de um discurso original e penetrante. Chegamos ao fim e sabemos muito mais sobre cinema. (Senão, apenas dois aspectos: a legendagem é péssima e quem não entenda bem o inglês é enganado sucessivamente; e para aqueles que, como eu, não viram boa parte dos filmes referidos [encontram-se listados nos extras] e não imaginam ver tão cedo [não há cinemateca no Porto, etc. e tal], a experiência pode ser francamente frustrante.)

A segunda prenda do meu caro amigo foi o há muito desejado L'Atalante (1934), de Jean Vigo, o malogrado francês que não chegou a ver a estreia da sua primeira (e única) longa-metragem. Com 29 anos, sucumbiu à septicemia, tendo visto apenas a primeira montagem da sua obra-prima. Era filme que eu perseguia desde a leitura de um texto de Bénard da Costa, no Independente, incluído na série Os Filmes da Minha Vida. No seu estilo de deslumbramento, o grande cinéfilo chamava a atenção para uma cena em particular, em que Jean (Jean Dasté) enfia a cabeça num balde, e depois mergulha no rio, procurando ver a imagem da mulher amada, Juliette (Dita Parlo). Esta dissera-lhe que dentro de água a encontraria sempre. Visto o filme, não consigo destacar esse momento ou qualquer outro. Tudo me parece de uma relojoaria antiga, inimitável. Destaco o filme inteiro como uma jóia, onde se conta a história de um amor subitamente abalado e o desespero de dois amantes. Onde há um desejo físico pungente, em que a sugestão é ensurdecedora e ultrapassa em muito a exposição às escâncaras do cinema actual. É um trabalho de minúcia, em que cada cena parece destinada a gravar-se na memória do mundo. Como se não pudesse haver cinema sem recordar A Atalante.

Etiquetas: ,

quarta-feira, março 08, 2006

Bons sentimentos

Nos últimos anos a academia premiou filmes que achei sensaborões (Titanic, O Paciente Inglês, Mentes Brilhantes), filmes curiosos (Beleza Americana, Chicago, Forrest Gump), filmes óbvios (Brave Heart, O Senhor dos Anéis) e aqueles filmes a que também daria um Óscar sem problemas (Million Dollar Baby, O Imperdoável, O Silêncio dos Inocentes). Em todos estes, porém, consigo reconhecer os argumentos que habitualmente distinguem o melhor filme (entre eles, a quantidade de dinheiro que foi gasto). Coisa que já não acontece com Crash, filme que achei banal e por isso me deixou surpreendido quando arrebatou o Óscar. Só encontro os "bons sentimentos" como explicação; méritos artísticos, nem vê-los.

Salva-se a estatueta conquistada por Philip Seymour Hoffman, actor que admiro desde Happiness, de Todd Solondz. O seu Capote é extraordinário, daquelas personagens que ficam (ao contrário do filme, que só fica porque a personagem ficou).

Etiquetas: ,