<body><!-- --><div id="b-navbar"><a href="http://www.blogger.com/" id="b-logo" title="Go to Blogger.com"><img src="http://www.blogger.com/img/navbar/1/logobar.gif" alt="Blogger" width="80" height="24" /></a><form id="b-search" action="http://www.google.com/search"><div id="b-more"><a href="http://www.blogger.com/" id="b-getorpost"><img src="http://www.blogger.com/img/navbar/1/btn_getblog.gif" alt="Get your own blog" width="112" height="15" /></a><a href="http://www.blogger.com/redirect/next_blog.pyra?navBar=true" id="b-next"><img src="http://www.blogger.com/img/navbar/1/btn_nextblog.gif" alt="Next blog" width="72" height="15" /></a></div><div id="b-this"><input type="text" id="b-query" name="q" /><input type="hidden" name="ie" value="UTF-8" /><input type="hidden" name="sitesearch" value="hamrashnews.blogspot.com" /><input type="image" src="http://www.blogger.com/img/navbar/1/btn_search.gif" alt="Search" value="Search" id="b-searchbtn" title="Search this blog with Google" /><a href="javascript:BlogThis();" id="b-blogthis">BlogThis!</a></div></form></div><script type="text/javascript"><!-- function BlogThis() {Q='';x=document;y=window;if(x.selection) {Q=x.selection.createRange().text;} else if (y.getSelection) { Q=y.getSelection();} else if (x.getSelection) { Q=x.getSelection();}popw = y.open('http://www.blogger.com/blog_this.pyra?t=' + escape(Q) + '&u=' + escape(location.href) + '&n=' + escape(document.title),'bloggerForm','scrollbars=no,width=475,height=300,top=175,left=75,status=yes,resizable=yes');void(0);} --></script><div id="space-for-ie"></div>

domingo, junho 10, 2007

O Corte

O que é o “corte”? Pouco interessa saber o que é o “corte”. Algo que nos liberta da consciência, do prazer, da responsabilidade. Que nos permite fechar os olhos. Procurado por uns, combatido por outros, o “corte” é sobretudo o símbolo de um futuro distópico onde se desenvolve a peça de Mark Ravenhill, que tem hoje última apresentação no Porto, Estúdio Zero, pela companhia ASSéDIO.

Afastado da euforia das peças que o celebrizaram (Shopping and Fucking ou Handbag), e que, juntamente com as de Sarah Kane (sobretudo Blasted) levaram à definição de um novo género teatral na Inglaterra dos anos 1990 – o in-yer-face theatre (expressão cunhada pelo crítico Aleks Sierz); afastado dessa orgia de corpos e desvios, Ravenhill aparece com texto mais ambíguo e depurado.

Concentro-me num único ponto, que me parece o mais inquietante e revelador da proposta do inglês. Existe um pai e um filho. Paul (interpretado por João Cardoso, que também encena) é o alto funcionário do Estado encarregue de aplicar o “corte”. Stephen é o filho revolucionário empenhado em derrubar a velha ordem em nome de um mundo melhor.

No único momento em que se encontram os papéis estão já invertidos. A sociedade do “corte” deixou de existir e o verdugo está preso. Anuncia-se o novo mundo na figura do filho, que contempla o pai encarcerado com complacência. (A cena parece-me mal gerida pela ASSéDIO, e as possibilidades deste encontro caem por isso na mera sugestão do que diz o texto). Há este momento (cito de memória):

Paul – E o que é feito da nossa casa?
Stephen – Foi transformada em prisão. Já não havia espaço nas outras.
Paul – E é isso então o teu “mundo melhor”: um mundo com mais prisões.

Ou como Ravenhill, n’O Corte, questiona as boas intenções revolucionárias, o desejo por um mundo melhor e a chegada ao poder desse desejo – que rapidamente desbarata os “inimigos da revolução” e tudo aquilo que não obedeça ao “sonho”, calando todas as inconformidades com a utopia. E criando um novo "corte".

Etiquetas:

sábado, janeiro 20, 2007

O Vilão



When devils will the blackest sins put on,
They do suggest at first with heavenly shows,
As I do now: for whiles this honest fool
Plies Desdemona to repair his fortunes
And she for him pleads strongly to the Moor,
I'll pour this pestilence into his ear,
That she repeals him for her body's lust;
And by how much she strives to do him good,
She shall undo her credit with the Moor.
So will I turn her virtue into pitch,
And out of her own goodness make the net
That shall enmesh them all.

W. Shakespeare, Othello (Acto Segundo, Cena III)

Shakespeare chamou-lhe Othello, mas a mais fascinante personagem do texto foi sempre Iago, o manipulador genial, o "demónio do Ocidente" na formulação de Harold Bloom, que considera que "entre todos os vilões da literatura, ele tem a honra nefasta de ocupar uma posição inatingível". Em Otelo, actualmente em cena no São João, é mais uma vez sobre Iago que se concentra o principal interesse e o principal terror. O que não se explica apenas pelo texto, mas também pelo desempenho de Nuno Cardoso, que compõe um Iago visceral e insidioso que arrebata a peça desde a primeira fala. A ajudar a este domínio - intelectual acima de tudo, pois Iago não tem verdadeiros adversários - está a encenação, que opta pelo despojamento e por figurinos atemporais. Percebe-se a ideia de Nuno M. Cardoso quando refere Otelo como um "ringue frio, da palavra", mas a opção pelo mínimo resulta quando emergem grandes intérpretes, e neste caso emerge apenas Nuno Cardoso - e o seu diabólico Iago.

Etiquetas:

sábado, outubro 07, 2006

'Improviso de Ohio'












Maravilhas da net. Uma das peças filmadas do projecto Beckett on Film disponível no You Tube (e há lá outras). Escolhi Ohio Impromptu, escrita entre Março e Abril de 1980 para ser representada num simpósio académico no Ohio (como homenagem ao escritor pelo seu 75º aniversário). É uma peça tardia, com rarefacção de palavras, um dos últimos progressos da sua “literature of the unword” (ler este ensaio sobre os seus processos de desescrever). Realizado por Charles Sturridge, em 2000, o filme conta com Jeremy Irons no papel de leitor e ouvinte (não é todos os dias que Jeremy Irons contracena com… Jeremy Irons; mas já foi visto). Tentei encontrar o texto, mas apesar da abundância de Beckett na rede, o Ohio não vi (se alguém conseguir, por favor envie-mo).

E agora vejam a peça (vá lá, são dez minutos e uma das versões está legendada). Apaguem a luz, desliguem o telemóvel, e, ok, podem fumar um cigarrito e comer umas nozes.

Com legendas
Sem legendas

Etiquetas:

segunda-feira, março 13, 2006

Diplomacia

(...) Se dois homens, duas espécies contrárias, sem história comum, sem linguagem familiar, se encontram por fatalidade face a face - não no meio da multidão nem em plena luz do dia, porque a multidão e a luz dissimulam os rostos e a naturezas, mas antes num chão neutro e deserto, plano, silencioso, onde nos vemos de longe, onde nos ouvimos caminhar, um local que proíbe a indiferença, ou o desvio, ou a fuga - quando param um em frente ao outro, não há entre eles senão hostilidade, que não é um sentimento, mas um acto, um acto de inimigos, um acto de guerra sem motivo. Os verdadeiros inimigos são-no por natureza, e reconhecem-se como os animais se reconhecem pelo cheiro (...)

(...) O primeiro acto de hostilidade, imediatamente antes da pancada, é a diplomacia, que é o comércio do tempo. Ela desempenha o amor na ausência do amor, o desejo pela repulsa. Mas é como uma floresta em chamas atravessada por um rio: a água e o fogo lambem-se, mas a água está condenada a afogar o fogo, e o fogo forçado a volatilizar a água. A troca de palavras serve apenas para ganhar tempo antes da troca de pancadas, porque ninguém gosta de receber pancadas e toda a gente gosta de ganhar tempo.

Segundo a razão, há espécies que não deveriam nunca, na solidão, encontrar-se face a face. Mas o nosso território é demasiado pequeno, os homens demasiado numerosos, as incompatibilidades demasiado frequentes, as horas e os locais obscuros e desertos demasiado incontáveis para que haja ainda lugar para a razão (...)

Bernard-Marie Koltès

Pequeno aperitivo de Na Solidão dos Campos de Algodão, deste autor francês falecido em 1989 com HIV. O palco é a garagem subterrânea do Castelo do Queijo, no Porto. A companhia é o Teatro Plástico. O encenador é Francisco Alves. O espectador deverá ter carro e auto-rádio. A experiência fica.

Etiquetas: